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7 Abr 2014 - 13:45

Nascido nos Estados Unidos, CrossFit é “febre” em Cuiabá

Esporte trabalha todas as capacidades físicas simultaneamente

Mídia News

 Tombar pneus de trator, saltar em caixas, correr ou se agachar carregando o parceiro e levantar peso. Esses são algumas dos exercícios feitos por quem pratica o CrossFit, esporte que nasceu nos Estados Unidos em 1984 e que já virou uma “febre” no Brasil e em Cuiabá.

O esporte é uma alternativa de treinamento que visa a melhora do condicionamento físico e que, a cada dia, ganha novos adeptos em todo país.

Entre os praticantes, há desde oficiais dos mais diversos segmentos da Segurança Pública (bombeiros e policiais militares, por exemplo), quanto atletas que buscam um treinamento diferenciado e desafiador e pessoas que não aguentam mais chegar na academia e se prender a uma fichinha de exercícios – a boa e tradicional musculação.

"O CrossFit veio como um divisor de águas. Você vem com o corpo que você tem e o treino é adaptado para você" Na Capital, os “crossfiteiros” são encontrados em todos os lugares: nas academias, nos parques, em residenciais fechados e nos chamados boxes ou ginásios, locais criados especificamente para a prática de CrossFit e que em nada se assemelham à uma academia de musculação.

A bandeira de quem pratica o esporte é “desafiar seus limites”. Quem pratica o esporte sabe que não há espaço para palavras como “não consigo” ou “desisto”.

Como explica o treinador Pablo de Souza, 34, não é necessário ter um padrão específico de corpo ou uma idade certa para praticar o esporte.

“O CrossFit veio como um divisor de águas. Você vem com o corpo que você tem e o treino é adaptado para você”, disse.

Segundo os treinadores, mesmo alguém que sofre de alguma lesão ou não possui algum membro (um braço ou uma perna) pode praticar o esporte.

“Assim como em qualquer esporte, é necessário técnica. O aluno precisa conhecer o professor e saber se ele é capacitado para dar o treinamento. O CrossFit é altamente lesivo, sim, como qualquer outro esporte, se você buscar um ‘pangaré’ qualquer para te treinar. Uma alternativa, por exemplo, é entrar no site da CrossFit Brasil e ver a lista de treinadores capacitados e de boxes credenciados na sua cidade”, afirmou.

Arquivo Pessoal

Gibranna Oliveira treina no campus da Universidade Federal de Mato Grosso, há um mês Pablo pratica o CrossFit há um ano e dois meses, já competiu nacionalmente e se prepara para passar pela prova do Level 1, que o capacitará como “coach” do esporte na Capital.

Equilíbrio entre mente e corpo

Diferente da academia tradicional, onde há aulas e programas para treinamento de grupos musculares separados, focados ora em resistência, ora em força, o objetivo do CrossFit é fazer o atleta trabalhar suas 10 capacidades físicas de forma equilibrada: força, resistência muscular, resistência cardiorrespiratória, flexibilidade, potência, velocidade, equilíbrio, coordenação, precisão e agilidade.

“São movimentos funcionais de alta intensidade constantemente variados. Essa é a definição do CrossFit, que se diferencia de um treinamento funcional, por exemplo, que é voltado para um objetivo específico. No CrossFit, o nosso objetivo é o condicionamento físico”, explicou Pablo.

" O aluno precisa conhecer o professor e saber se ele é capacitado para dar o treinamento. O CrossFit é altamente lesivo, sim, como qualquer outro esporte, se você buscar um ‘pangaré’ qualquer para te treinar" Proprietário de um ginásio para a prática de CrossFit localizado na Avenida Miguel Sutil, o professor Wagner Ribeiro, 49, pontua que os exercícios mais comuns no esporte são divididos em três grupos: metabólicos (corrida, natação, bike, remo, corda), ginástica calistênica e olímpica (subir na barra, argolas, salto na caixa, flexão) e levantamento de peso.

“Os exercícios são de alta complexidade, mas sempre respeitando a intensidade de cada um”, disse.

Wagner conta que, em seu box, ele possui alunos com idade entre 8 e 74 anos. Das pessaos que procuram o esporte, segundo ele, 70% tem por objetivo emagrecer, 20% é porque não aguentam mais academia e 10% são pelo gosto pelo esporte.

“A gente diz que qualquer um pode fazer o Crossfit, mas que o CrossFit não é para qualquer um. Você precisa não só preparar o corpo para o esporte, mas a mente também. O mais forte do CrossFit é a força emocional que ele desencadeia”, disse.

De acordo com Wagner, uma das principais mudanças notadas nos adeptos do esporte é a capacidade de aceitar e vencer desafios.

"A gente diz que qualquer um pode fazer o Crossfit, mas que o CrossFit não é para qualquer um. Você precisa não só preparar o corpo para o esporte, mas a mente também" “Você se transforma e aprende a vencer a si mesmo. Isso não é apenas a respeito de um exercício, mas sim de superar o medo, a preguiça, a depressão. Você alcança e desenvolve uma força interior muito grande”, afirmou.

Praticante do CrossFit há seis meses, Manoel Fortunato, 34, afirma que procurou no esporte uma forma de melhorar o condicionamento físico, sair da rotina e reunir os amigos e já sente os benefícios.

“Melhorei meu condicionamento e minha imunidade e ainda ganhei massa muscular, estou com o corpo mais definido”, disse.

Iniciante no esporte há menos de um mês, Gibranna Oliveira, 33, conta que procurou o esporte para sair da rotina da academia.

Ela treina com um grupo na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e diz que prefere a prática ao ar livre para fugir do ambiente fechado e cheio de aparelhos das academias tradicionais.

“Estou gostando muito e indico para quem está iniciando a prática de exercício e para aquelas que já estão acostumadas com o ambiente da academia. É muito bom porque a gente utiliza, além do espaço físico, as nossas próprias condições”, afirmou.

Arquivo Pessoal

Manoel Fortunato (centro - inferior) treina CrossFit há seis meses e já sente os benefícios Excesso

Os treinadores da área são unânimes ao afirmar que o treinamento do CrossFit não pode exceder uma hora, podendo ser praticado de manhã e à tarde, caso a pessoa já treine há um bom tempo.

Os treinos do CrossFit são de curta duração exatamente para incentivar a liberação de testosterona (hormônios que provocam aumento da massa muscular e queima de gordura) e minimizar a produção do cortisol (hormônio que causa acúmulo de gordura e queima massa muscular).

“Você pode começar treinando três vezes por semana e depois, subir para cinco vezes. O importante é não exceder uma hora a cada treinamento, porque depois disso o corpo começa a liberar cortisol em excesso”, explicou Wagner.

Custos e benefícios

No box montado por Wagner, há cerca de 100 alunos matriculados que praticam o esporte de segunda a sexta-feira. Segundo ele, quem quer emagrecer pode encontrar no CrossFit um resultado rápido, se combinar os exercícios à uma alimentação saudável.

“Fazendo reeducação alimentar, tenho alunos que já perderam de 8 kg a 14 kg em 40 dias. Em três meses, uma pessoa que hoje é sedentária e de meia idade, pode perder de 26 kg a 30 kg”, afirmou.

Tony Ribeiro/MidiaNews

Algumas pessoas preferem treinar em boxes (ginásios) de CrossFit, que são diferentes de academias O custo para quem quiser praticar o esporte varia.

Há grupos que treinam diariamente e nos finais de semana em parques da cidade, como é o caso do Parque Mãe Bonifácia ou no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – cujo custo é menor; há quem treine em academias – a Phídeas, por exemplo, deve inaugurar seu primeiro box em maio deste ano, coordenada pelo treinador Pablo; e há aqueles que optam pelos boxes especializados, como é o caso do ginásio do Wagner, na Capital.

“Para treinar de três a cinco vezes por semana, uma hora por dia, a pessoa vai desembolsar cerca de R$ 350. Com acompanhamento da nutricionista, principalmente no primeiro mês, para a montagem do cardápio, o custo pode subir para cerca de R$ 530”, afirmou.

 
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