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16 Jul 2020 - 16:20

Sindicato diz que faltam médicos por condições precárias de trabalho oferecidas pelos governantes

Fabiana Mendes/Olhardireto

O diretor de comunicação do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), doutor Adeíldo Lucena disse, em transmissão ao vivo na manhã desta quinta-feira (16), que faltam profissionais da saúde para os hospitais por conta das condições precárias de trabalho oferecidas pelos governantes. Ele também ponderou que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estão cheias de médicos recém-formados, mas que é necessário profissionais com mais qualificações para atuação nestes locais.“Bem no meio de uma pandemia, o cara vai trabalhar, tem que ter todas as condições. Não vai achar, porque não programou antes, não acreditou na pandemia, que realmente ia chegar em Cuiabá, Mato Grosso. Teve tempo pra fazer um processo seletivo mais adequado meses atrás, um concurso público, mas não fez. Por que o médico não quer? Porque o vínculo é precário, está se expondo, arriscando e não tem condições de trabalho adequadas”, afirmou.

No final do mês passado, o Governo do Estado lançou o edital para contratação emergencial com 751 vagas para atender às unidades de saúde estaduais, mas estaria com dificuldades de encontrar profissionais. Os selecionados irão atender aos Hospitais Regionais de Rondonópolis, Cáceres, Sinop, Sorriso, Alta Floresta e Colíder, assim como o Hospital Estadual Santa Casa e o Hospital Metropolitano de Várzea Grande.

O presidente disse que antes mesmo da pandemia, já havia o problema de falta de médicos. “Não mudou muita coisa. Não se preparou. O Estado tem 20 anos que não faz um concurso público na saúde. O município seis ou sete anos. Prefere contratar profissional com vínculo precário, sem direito a férias, 13º terceiro salário, aposentadoria, não recolhe fundo de garantia. É um vínculo que ele sai com uma mão na frente outra atrás. Isso de longa data, agora não está sendo diferente, continuam preferindo dar ao médico vinculo precário”, disse.

“Não pode mandar um soldado pra guerra com estilingue na mão. Não pode mandar um médico enfrentar essa pandemia, sem dar condições de trabalho, sem um vínculo seguro. Preferem contratar uma empresa, que contrata outra, que obriga o médico a abrir uma ou ser sócio. É o absurdo dos absurdos”, criticou.

“Faz tempo que a gente reclama que falta dipirona, antibiótico adequado. Não é agora na pandemia que está faltando. Agora descortinou o palco, caíram as máscaras. Agora temos uma visão do que sempre foi. A pandemia veio mostrar. Não é culpa do médico. O médico está pronto para enfrentar, e tem enfrentado sem proteção adequada, sem condições necessárias”, acrescentou.Sobre o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida), o presidente do Sindicato disse que a medida é usada para fazer contratações com baixo custo. “Precisamos de profissionais qualificados. Nós temos, mas dê condições de trabalho e não vamos precisar de médicos estrangeiros. Faça algo que garanta estabilidade ao médico, porque ele tem família também”, argumentou.

Procurado, o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), informou que promoveu a reabertura do processo seletivo para a contratação de profissionais dos Hospitais Regionais e aumentou a remuneração dos plantões estipulados em edital.

“Além disso, o Estado concentra esforços no abastecimento constante dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), para garantir a segurança desses profissionais. Entre aquisições, auxílios federais e doações, a pasta estima um estoque de mais de 8 milhões de itens de proteção. O material é renovado nas unidades de saúde do Estado a cada 15 dias”, diz trecho da nota.

Confira a integra do posicionamento:

O Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), trabalha na manutenção dos direitos e benefícios ofertados aos profissionais da Saúde, que são essenciais para o enfrentamento da pandemia. O Estado promoveu a reabertura do processo seletivo para a contratação de profissionais dos Hospitais Regionais e aumentou a remuneração dos plantões estipulados em edital.

Além disso, o Estado concentra esforços no abastecimento constante dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), para garantir a segurança desses profissionais. Entre aquisições, auxílios federais e doações, a pasta estima um estoque de mais de 8 milhões de itens de proteção. O material é renovado nas unidades de saúde do Estado a cada 15 dias.

O Governo também enviou um Projeto de Lei à Assembleia Legislativa, que visa à concessão de um adicional aos servidores da Saúde que atuam na linha de frente das unidades hospitalares referenciadas para o tratamento da Covid-19. Caso aprovado, o projeto também possibilitará que os profissionais contratados – da área de Saúde – e diagnosticados com o coronavírus recebam os valores dos plantões durante o período de recuperação.

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