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5 Ago 2020 - 09:20

General Heleno trava disputa com Iphan para colocar torres antidrones em palácios

O GSI fechou contrato de R$ 2,49 milhões para proteger Planalto, Alvorada e Jaburu contra ataques, mas Iphan está barrando antena de até 20m

Metrópoles

Reprodução/Iphan

 (Crédito: Reprodução/Iphan)
Preocupado com possíveis ataques com o uso de drones contra a cúpula do Poder Executivo, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) contratou, por R$ 2,49 milhões, um sistema de detecção e “neutralização” desse tipo de equipamentos na área dos palácios do Planalto, da Alvorada e do Jaburu.


Para levar a cabo o projeto, porém, a empresa contratada quer instalar grandes antenas nas lajes dos atuais locais de trabalho e moradia do presidente Jair Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão. Só que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável por proteger o tombamento das obras de Oscar Niemeyer, está barrando a obra, apesar da urgência alegada pelo órgão comandado por general Augusto Heleno.

Pelo projeto original, seria instalada no teto do Palácio do Planalto uma antena de 20 metros de altura. O Alvorada, residência oficial do presidente, ganharia uma antena de 10 metros de altura, e o Jaburu, uma de 6 metros (veja imagem abaixo). Todas sustentadas por cabos, formando uma espécie de pirâmide.

A ideia de se instalar uma proteção antidrones na área vem de 2017, quando um grupo de trabalho do GSI identificou os objetos voadores como riscos em potencial. A gestão de Heleno investiu no projeto e o embate burocrático para a instalação dos equipamentos começou em março deste ano, quando já estava assinado o contrato com a empresa Segurpro Tecnologia em Sistemas de Segurança para a compra de um sistema de proteção contra drones nos Palácios do Planalto, Jaburu e Alvorada.

Em ofício endereçado ao superintendente do Iphan no DF, Saulo Diniz, no dia 27/3, o general Luiz Fernando Estorilho Baganha, secretário de Segurança e Coordenação Presidencial do GSI, explica a importância do “Projeto de Proteção das Instalações Presidenciais (ProPR)” e diz:

“Há de se considerar a urgência que o assunto requer, além do assunto Segurança Presidencial se tratar de ato previsto em Lei, o uso de drones deixou de ser apenas para o lazer e como ferramenta de trabalho, passando a ser empregado em atos de ameaça e ações hostis, trazendo riscos e sendo cada vez mais aplicados em fins escusos diversos”.

Ainda segundo o general, na área central de Brasília, onde estão os palácios, “o aparecimento de drones está se tornando corriqueiro e demonstrando uma vulnerabilidade para a atividade de segurança das mais altas autoridades do Poder Executivo”.

A resposta negativa do Iphan veio em 14 de abril no processo administrativo. Assinado pelo coordenador técnico do Iphan DF, Thiago Pereira Perpetuo, o parecer publicado na íntegra ao final desta reportagem afirma que as estruturas pretendidas pelo GSI ferem o tombamento dos palácios desenhados por Niemeyer.

“Há que se considerar que edificações icônicas como os Palácios Presidenciais, patrimônios históricos tombados e reconhecidos internacionalmente pela sua arquitetura moderna, impõem limites para intervenções, que devem ser direcionadas para o menor impacto possível”, diz o texto.

“A partir das simulações desenvolvidas, fica evidente que os equipamentos propostos impactam diretamente tanto os Palácios como bens tombados individualmente quanto o Conjunto Urbanístico de Brasília (CUB)”, conclui o documento.

O parecer define ainda diretrizes para que um sistema antidrones seja instalado nos locais. “Caso sejam elementos integrados à arquitetura dos palácios, os novos equipamentos não podem ser visíveis do ponto de vista do observador, de forma a não prejudicar a leitura da volumetria dos Palácios”, define.

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