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Agência da Notícia, Domingo 20 de Setembro de 2020

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11 Ago 2020 - 10:50

Incêndio ameaça hotel no Pantanal

FABIANO MAISONNAVE E LALO DE ALMEIDA

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
Os incêndios que assolam o Pantanal há semanas agora ameaçam um dos maiores hotéis da região. Acuado pelas chamas, o hotel Sesc Porto Cercado retirou parte dos funcionários enquanto bombeiros, brigadistas e militares tentam criar uma barreira para proteger a estrutura das chamas.

Na rodovia-parque de acesso ao hotel, localizado a 145 km de Cuiabá, as chamas consomem a vegetação nos dois lados da estrada. Em alguns pontos, a fumaça é tão densa que ofusca o sol e reduz a visibilidade para alguns metros.

"O risco é grande, muito grande", diz o 1º tenente do Corpo de Bombeiros Rodrigo Alves Bueno 41, que veio de Mato Grosso do Sul para reforçar o combate ao fogo.

O principal trabalho do dia foi molhar a vegetação mais próxima do hotel, uma ampla estrutura com 142 quartos às margens do rio Cuiabá. No início da tarde, as chamas estavam a cerca de 750 metros do limite do hotel.

O objetivo é criar um arco de proteção contra a frente de fogo, de cerca de 3 km. Um avião com capacidade para 3.000 litros realizou dezenas de voos despejando água ao redor do hotel, que tem 142 quartos e capacidade máxima para 430 pessoas. Trata-se do maior hotel do Pantanal de Mato Grosso e o segundo maior de toda a região pantaneira.

Brigadistas do Sesc utilizam caminhões-pipa e abafadores para controlar o incêndio na vegetação de cerrado. Um deles passou mal e precisou de atendimento médico.

A ameaça fez com que 20 dos 50 funcionários fossem retirados do local. Ao lado da piscina, uma choupana de palha foi molhada para evitar que uma eventual fagulha a incendeie.

O hotel, fechado desde março por causa da Covid-19, se preparava para reabrir as portas na semana que vem - o plano agora está condicionado à dinâmica das queimadas.

O fogo que ameaça o hotel teve início em três focos diferentes, todos causados pela ação humana. As chuvas abaixo da média deste ano contribuíram para a propagação.

"Entre janeiro e julho foram registrados 4.218 focos de calor no bioma Pantanal. É o maior número da série histórica de dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) desde 1998", afirma o pesquisador Vinicius Silgueiro, do Instituto Centro de Vida (ICV).

"O registrado neste ano é 186% superior ao mesmo período do ano passado, que foi um ano crítico, com 1.475 focos entre janeiro e julho", completou.

Área protegida A situação também é dramática do outro lado do rio Cuiabá, onde está a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, a maior do país. O fogo já queimou cerca de 34 mil hectares dos seus 108 mil hectares - 31,5% do total.

Trata-se do segundo maior incêndio registrado na RPPN, uma categoria privada de unidade de conservação. Em 1998, praticamente toda a área foi queimada. O fogo deste ano, no entanto, ainda está longe do fim, já que a temporada de seca no Pantanal costuma durar até o final de setembro.

"Neste ano, a seca está sendo bem mais severa", afirma a gerente de pesquisa e meio ambiente do Sesc Pantanal, a bióloga Cristina Cuiabália. "Existe uma perda em massa de grupos que não têm chance de fuga: insetos, animais vertebrados lentos, como o tamanduá-bandeira, répteis."

A bióloga diz que o incêndio também destrói ninhadas de diversas aves que se reproduzem nesta época do ano, como as araras. "Para avifauna, é uma grande perda, uma geração a menos no ciclo dos grupos."

Com dez anos de experiência combatendo incêndios no Pantanal, o tenente Bueno diz que os próximos meses são imprevisíveis. "A nossa missão é apoiar quem precisa. Quando a gente se torna impotente, é um sentimento muito ruim, diz, com os olhos marejados.

"Estamos no começo da temporada da estiagem, mas já faz muito tempo que já está seco. Quero acreditar que Deus colabore para que a chuva venha antes, como a seca também veio."

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