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26 Set 2014 - 08:48 | Atualizado em 26 Set 2014 - 09:56

Com projeto de novo traçado da BR 158, Funai reconhece cemitério xavante fora da Marãiwatsédé (Vídeo)

Com a necessidade de contornar as aldeias velhas dos xavantes a BR 158 poderá custar 1 bilhão a mais.

Agência da Notícia com Redação

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No mapa do Denit mostra o novo traçado da BR 158 (Crédito: Agência da Notícia)

No mapa do Denit mostra o novo traçado da BR 158

A discussão sobre a demarcação da Terra Indígena Marãiwatsédé, no Norte Araguaia, a nordeste de Mato Grosso, poderá ter novos rumos, após o Departamento Nacional de Infraestrutura ter refeito o projeto da BR 158 para contornar a reserva indígena, a Fundação Nacional do Índio informou ter “encontrado” um antigo cemitério xavante fora do perímetro demarcado.

A Funai solicitou ao Denit que refaça novamente o projeto, contornando novamente, mas agora o novo cemitério encontrado. Com o reconhecimento por parte da Funai de que há vestígios fora da aérea demarcada coloca em dúvida o processo de demarcação da Suiá Missú, e mostra que os documentos presentes nos autos, afirmando que a área antiga dos xavantes foi realocada são verdadeiros, e que o advogado Luiz Alfredo da Associação dos Produtores Rurais da Suiá Missú (Aprosum), sempre teve razão.

Porém a Funai não pretende voltar atrás, ao contrário, pretende ampliar, ou fazer uma nova demarcação de Terra Indígena, agora nas antigas aldeias e cemitérios dos povos indígenas xavantes, que moravam nos primórdios na cabeceira dos rios Xavantinho e Tapirapé, na região de cerrado, a sudeste da aérea demarcada pela Funai.

Os indígenas em entrevista a jornais, rádios e televisões locais sempre afirmaram que nunca estiveram na área, e que não aceitariam morar ali, pois as antigas aldeias eram em outro local, fora da área.

No mapa do Denit mostrando o novo traçado da BR 158 é possível ver o local da aldeia Bo'u, informada pelos próprios índios em entrevistas anteriores, onde também fica o cemitério agora “encontrado” pela Funai, sendo que o mesmo já havia sido “informado”, pelos próprios índios e se encontra nos autos anexados pelo advogado Luiz Alfredo.

Segundo o antropólogo David Maybury-Lewis, deixa claro que o nome Marãiwatsédé, pode ser um indicio de fraude, pois os xavantes nunca moraram em mata densa, e sim originariamente no cerrado veja abaixo trecho da obra do renomado antropólogo.

"Os Xavantes não escondem seu profundo desagrado pelos espaços fechados. Chamam-nos de rówastédi (ró = lugar, espaço; wasté = ruim, uma expressão de desgosto que é sempre dita com um toque pejorativo, acentuando a última sílaba). Referem-se ao cerrado como sendo rópetsêdi ou rówedi (petse = bom; we = bonito, lindo) e é no cerrado que realmente vivem. Constroem suas aldeias sempre em campo aberto, de onde removem meticulosamente a mais rala vegetação". Quando viajam, fazem-no pelo meio do cerrado, evitando a mata-galeria tanto quanto possível, ainda que isso signifique, na estação seca, ficar quase sem água. Durante suas viagem ateiam fogo a capões de mata muito fechada simplesmente para, segundo dizem, "limpar a área" (roweda). Em resumo: pensam na mata como sendo estranha e feia e desdenham dos povos que fazem da mata o seu lar.

Há fortes indícios de que a área demarcada pela Funai no Norte Araguaia, tenha sido um erro, ou seja, demarcada em um local errado. Quando a Funai revelou a existência do cemitério indígena fora da área demarcada surgiram na região rumores de que haveria um processo de ampliação da área que poderia resultar em mais violência e insegurança. A Funai nega.

Mais caro

Para contornar a Terra Indígena, ou seja, a Suiá Missú, a BR 158 custará a mais aos cofres públicos R$ 360 milhões, com a necessidade de contornar as aldeias velhas dos xavantes a obra pode chegar á 1 bilhão.


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1 comentário

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  • por Ricardo, em 27 Fev 2017 às 12:55

    Essa FUNAI.. não sabem oque diz, nem oque fazem. Só prejudicando indígenas aos quais deveriam proteger.

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