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Agência da Notícia, Sexta-feira 18 de Setembro de 2020

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24 Ago 2020 - 08:37

Descaso: maquinários para manutenção de rodovias estão apodrecendo em Mato Grosso

Onde o estado está ausente, produtores rurais estão unindo forças para manter a malha viária funcionando e, assim, garantir o escoamento da safra

Canal Rural

Pedro Silvestre/Canal Rural

Caminhões se deteriorando na garagem municipal (Crédito: Pedro Silvestre/Canal Rural)

Caminhões se deteriorando na garagem municipal

Em alguns trechos da rodovia MT-130, onde a situação é precária, a manutenção nas obras de pavimentação está sendo feita apenas pelo setor produtivo, enquanto milhões de reais em maquinários, recursos arrecadados do Fethab, apodrecem sucateados no pátio da prefeitura do município.

Revoltados com o descaso logístico da estrada, agricultores de Paranatinga (MT) cobram do estado e município agilidade nos projetos aprovados. A reclamação é que, em época de chuvas, os buracos e atoleiros prejudicam quem trafega na parte não pavimentada da rodovia. No entanto, na seca, a poeira toma o lugar do barro e os acidentes geralmente ocorrem por falta de visibilidade.

Com um problema tão antigo, recursos que seriam destinados para a manutenção dessas rodovias, via Fethab, não estão chegando onde deveriam. “Não termina essa novela não. Eu ando aqui desde 1992 e, de lá para cá só tem piorado. Tivemos aumento da produtividade, aumento das áreas de lavoura, conseguimos tecnificar dentro das propriedades, mas o poder público não está dando esse suporte para nós na rodovia. Temos calcário para levar, adubo para chegar, milho para trazer, e não estamos conseguindo trafegar. Hoje atolando na poeira e, dentro de um mês e meio, vamos ter chuva e vamos atolar no barro”, reclamou o produtor rural Fernando Veronese.

O agricultor tem uma área de 3.200 hectares no município de Gaúcha do Norte, a mais de 140 km de Paranatinga, e usa toda a extensão da rodovia para escoar a safra. Segundo ele, as péssimas condições da estrada desvalorizam a produção e aumentam o custo do frete. 

“Quando a gente encontra caminhão para vir, cobram de R$  70 a R$ 80 a tonelada. Aqui a gente arrebenta uma caminhonete por ano para andar nessa estrada e caminhão, nem se fala… Toda viagem tem que estar em um posto de mola. Nós pedimos socorro, já fomos atrá sde reunião, mas a gente não consegue solução pra isso. E o Fethab vai, Fethab 1, Fethab 2, o outro Fethab do milho e nada de retorno”, disse.

Em Santiago do Norte, o setor produtivo também depende da MT-130 para escoar a produção, reforça o manifesto por melhorias e pavimentação da estrada. “Estamos abandonados, com projetos prontos há mais de dois anos, tudo que nos pediram para fazer, nós  fizemos, e nada acontece.  Asfalto começando de Paranatinga para Santiago é muito devagar, demora para ser feito e pedimos socorro, para ver se alguém nos ajuda. Pagamos muito caro no Fethab, os R$ 200 mil por quilômetro que é de parte dos produtores estão na conta, mas nada acontece”, disse o agricultor Odir José Nicolodi.

Força do campo também no asfalto
Até uma parceria com os responsáveis pela manutenção da MT-130, no trecho entre o distrito de Santiago do Norte e os municípios de Nova Ubiratã e Feliz Natal, foi feita pelo setor produtivo, mas acabou sendo frustrada. Segundo os agricultores, os maquinários fornecidos pelo estado, além de não serem suficientes, estão em mal estado de conservação. Por fim, o recurso do governo não chegou.

“Estamos com dois caminhões basculante e uma patrola motoniveladora do estado, que nos entregaram via prefeitura. Mas nos entregaram um maquinário detonado e acabamos gastando mais de R$ 50 mil com os caminhões e a patrola está encostada, porque não tivemos recursos para recuperar. Então, o maquinário que a gente vai ver aqui na MT-130 nesse quarto trecho é exclusivamente de produtores, se não for iniciativa do produtor em começar, fazer e botar o diesel, botar a mão de obra, botar a manutenção e botar para fazer, a situação não sai”, desabafou o agricultor Thiago Fabris.

Segundo o prefeito de Paranatinga, Josimar Marques Barbosa, o recurso é escasso. “É uma rodovia que tem 320 quilômetros. O  recurso não vem, mas estamos há  quatro meses trabalhando a documentação para que o recurso chegue ao município, para podermos dar essa assistência na MT-130. No primeiro momento, era para vir R$ 100 mil reais e estamos licitando agora o óleo diesel, que é um valor de R$ 1,2 milhão, que vai vir em quatro, cinco parcelas, e repassando e dando essa assistência também”.

Equipamentos abandonados

Se falta maquinários com recursos do Fethab na estrada estadual, sobra equipamentos no pátio municipal de Paranatinga. Caminhões e pranchas tomados pela ferrugem viram sucatas com o tempo, um prejuízo milionário que aumenta a revolta dos agricultores.

“A associação não estava dando conta de manter e nem prestar conta ao governo do Estado, aí o governo pegou os maquinários da associação de volta. Tinha dois ou três maquinários funcionando, mas o resto já estava sucateado, cerca de onze maquinários, algo em torno R$ 7 milhões que viraram sucata. Vamos tentar levantar, mas é muito difícil e não sei se vai compensar, mas estamos fazendo um levantamento. (…) O problema é a burocracia, que é muito grande”, completou o prefeito.


Para o vice-presidente da Famato, Marcos da Rosa, o setor acaba se sentindo desvalorizado por causa do descaso. “O sentimento é de muita tristeza. É a desvalorização de quem se esforça para trabalhar, trazer riqueza para o estado, para transformar o estado de Mato Grosso, mas a transformação começa pela infraestrutura, onde barateia os nosso custo dos insumos que chegam e dos produtos que saem. E nós temos o produto cada vez mais caro, porque não conseguimos resolver o problema da infraestrutura”, disse.

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