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Agência da Notícia, Quinta-feira 22 de Outubro de 2020

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2 Set 2020 - 17:30

Comunidade de Chapada vai para linha de frente de combate ao fogo: “É uma guerra”

Isabela Mercuri / Da reportagem local - Rogério Florentino

Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

 (Crédito: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto)
Desde a manhã do último domingo (30), quando as labaredas ultrapassaram o morro do Jatobá, a comunidade chapadense decidiu enfrentar o fogo pessoalmente e ir para a linha de frente do combate. Com apoio dos empresários da cidade, cerca de trinta moradores continuam na mata do cerrado seco de setembro nesta terça-feira (2). Agora, o que eles mais precisam é de apoio com maquinário, como motos de trilhas, quadriciclos e, principalmente, uma aeronave para auxiliar na ação.
“É uma guerra”. Assim descreveu o empresário, presidente da Associação do Vale da Benção e voluntário do Parque Nacional na prevenção e combate a incêndios Marcos Sguarezi ao Olhar Direto. Enquanto falava com a reportagem, ofegante, ele relatou o que estava vendo naquele momento: duas araras azuis fugindo do fogo.“Sempre me preocupou muito essa situação do fogo, e eu sabia que se ele passasse por nós também atingiria o Parque e toda essa microrregião, que é onde fica a nascente do Rio Coxipó. Imagine o tamanho do estrago! É uma região visitada por turistas do mundo inteiro, passarinheiros, tem espécies de pássaros que só tem aqui...”, lamentou.
 
Segundo Sguarezi, desde que começou a mobilizar a comunidade chapadense para este combate ao fogo, a aeronáutica tem prestado muita ajuda, principalmente por meio de seus soldados que também são de Chapada. Os empresários da cidade entraram no projeto doando alimentação e água para os brigadistas. “É Chapada lutando por Chapada”, define.Mesmo com quase três dias de combate, no entanto, a situação continua crítica por conta da baixa umidade e baixo efetivo de pessoal. “Precisávamos de uma aeronave pra nos auxiliar no combate, porque dentro da mata tem algumas clareiras. O combate é muito difícil e cansativo. Tem gente que desde domingo ainda não voltou pra casa, está dormindo no mato”. Além da comunidade e da aeronáutica, a frente ainda conta com pessoas da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.Quem quiser ajudar na frente de trabalho deve se dirigir ao Centro de Operações dentro do Vale da Benção. No entanto, Sguarezi explica que quem não tem experiência de combate a incêndios florestais não deve se arriscar, pois pode se tornar um problema ainda maior. Para além disso, eles precisam mesmo é de doações de isotônicos e do empréstimo de aeronaves, quadricilos e motos de trilha.Queimadas
 
O fogo voltou a arder em Chapada dos Guimarães desde a última sexta-feira (28). Uma “corrente” consumiu a vegetação na região que fica próxima a um condomínio de residências luxuosas, o Morro do Jatobá. Na noite anterior, área próxima ao residencial vizinho, Morro dos Ventos, também pegou fogo.

O primeiro foco identificado pela Base Descentralizada Bombeiro Militar (BDBM), ativada em Chapada no início do período proibitivo de queimadas, começou a arder em uma Área de Proteção Ambiental do parque estadual de Chapada dos Guimarães no dia 19 de agosto, quando as primeiras chamas foram reportadas na região.
 
Fernando Almeida, 68 engenheiro proprietário do Alto do Céu, na região, lamenta a falta de consciência das pessoas. “Tem gente que acredita que é uma prática comum pra essa época do ano, mas isso é um absurdo completo. Causa muito prejuízo, muito dano ambiental, problema na saúde das pessoas, principalmente idosos e crianças. É muito triste ver que as pessoas colocam fogo pra se divertir, sem ter ideia do prejuízo”.
 
Segundo o empresário, o prejuízo do fogo é imensurável, tanto para a economia quanto para o meio ambiente. “Essa é uma região muito pesquisada, nós temos por exemplo o peripatus, um animal que veio da intersecção dos vertebrados e dos invertebrados, há 200 milhões de anos. Uma queimada dessa pode simplesmente extinguir, pelo menos aqui na região, uma espécie como essa. O prejuízo é muito grande. Financeiro, ambiental e social”, lamenta.

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