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16 Set 2020 - 15:10

Empresário reforça tese de acidente e diz que ainda procurará mãe de estudante

Marcelo Cestari falou pela primeira vez desde a morte da adolescente Isabele Ramos em sua casa

WELINGTON SABINO

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
Indiciado por quatro crimes, incluindo homicídio culposo, em decorrência da morte da adolescente Isabele Guimarães Ramos, aos 14 anos, com um tiro no rosto, o empresário Marcelo Martins Cestari, 46 anos, espera um "momento oportuno" para conseguir conversar com a mãe da vítima, Patrícia Hellen Guimarães Ramos. Ele também alega que não existe "nenhum criminoso" na história, depois que sua filha de 14 anos foi indiciada pela Polícia Civil por ato análogo ao crime de homicídio doloso, quando há intenção ou assume o risco de matar. 

As declarações de Marcelo à imprensa ocorreram na manhã desta quarta-feira (16) quando ele foi ao Centro Socieducativo de Cuiabá, no Complexo do Pomeri, buscar a filha que conseguiu um habeas corpus do desembargador Rui Ramos Ribeiro para deixar o local, menos de 24h após a determinação  judicial para que ela ficasse internada no local por 45 dias. O crime foi praticado na noite do dia 12 de julho dentro da casa de Marcelo, uma mansão situada no luxuoso Condomínio Alphavile I, no bairro Jardim Itália em Cuiabá, empreendimento que também era a residência da vítima e sua família. Marcelo disse que no dia do fato pediu perdão para a mãe de Isabele e deu um abraço muito forte nela. Depois, disse ter ligado para um tio da vítima tentando fazer contato com Patrícia no dia do velório, e segundo ele, "as portas foram fechadas pra esse tipo de conversa".

Marcelo foi indiciado homicídio culposo, fraude processual, posse ilegal de arma de fogo e omissão de cautela na guarda de arma de fogo. Sua esposa, Gaby Cestari, também foi indiciada pelo crime de omissão de cautela na guarda de arma de fogo. No caso da filha do casal, responsável pelo disparo que matou a amiga, o delegado Wagner Bassi, que presidiu o inquérito na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) explicou que o indiciamento da menor é devido ao fato de ter assumido  a responsabilidade de atingir a vítima, uma vez que, apesar de ser menor de idade, era treinada e sabia manusear armas de fogo. 

O empresário foi questionado se a filha está arrependida. "Arrependida de que? De um acidente? Ela não usou arma, foi um acidente que aconteceu. Quando eu falo em acidente é no sentido estrito da palavra e não no sentido técnico. Foi um infeliz acidente onde ela perdeu a melhor amiga dela", respondeu ele. Ele também foi perguntado  sobre a  possibilidade de nova ordem judicial para internação da filha no Centro Socioeducativo.  "Eu não posso dizer isso, quem tem que responder são os juízes", contrapôs.

EMPRESÁRIO NEGA CRIMES

Durante as investigações, o delegado Wagner Bassi coletou depoimentos de vizinhos, enfermeiros e médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e ao término, afirmou, com base nas oitivas, que o empresário costumava deixar armas em locais da residência acessíveis aos quatro filhos menores de idade. A família toda é praticante de tiro esportivo e se enquadra nos chamados Cacs – caçadores, atiradores e colecionadores. Também concluiu que Marcelo praticou fraude processual ao tentar atrapalhar as investigações, inclusive, com ajuda de três policiais amigos da família. 

Sobre seu indiciamento, Marcelo Cestari também refuta as conclusões do inquérito policial. "Tudo que aconteceu está nos autos, está nos relatos que nós fizemos. Está sob sigilo e estou mantendo esse respeito à Justiça sem nem mesmo ter falado nada já me acusaram de fraude processual. Imagina se eu tivesse antes externado alguma coisa. Como o inquérito terminou estou falando com vocês, em respeito à Justiça, a delegado, ao procedimento de inquérito, eu não queria tumultuar, não queria de forma nenhuma trazer nenhum transtorno", diz ele na entrevista.  

"POSTURA COLABORATIVA"

O empresário garante que ele e sua família estão sendo colaborativos a todo momento. "Não existe nenhum criminoso, não existe nenhuma pessoa que queria fugir ou coisa do tipo. Estamos prestando e dando satisfação a todo momento à Justiça", justificou. 

Também negou que deixava armas em qualquer lugar da residência ao alcance dos filhos e à vista de qualquer pessoa que visitasse o imóvel. "Não existe essa história de ficar várias armas sobre a mesa, isso nunca existiu, nunca teve. Tanto é que quando é pedido pra mim pra deixar uma arma, eu peço de imediato pra subir e guardar. Então, é uma incoerência falar que a gente atuava de forma displicente". 

Ao ser interrogado na Polícia Civil Marcelo admitiu que foi negligente ao permitir que a filha levasse uma maleta com duas armas para guardar num quarto situado no segundo andar da casa, ocasião em que uma das armas foi disparada e matou Isabele. Agora, ele justifica o "contexto" de sua declaração no inquérito policial. "O delegado perguntou se eu havia sido negligente ao deixar a menina levar a arma, eu falei que até poderia ser. Naquele momento eu mandei ela levar a arma pensando que era uma arma descarregada e sem munição".

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