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18 Set 2020 - 10:10

Justiça diz que máscara com nome de vereador não é propaganda eleitoral

RD News

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 (Crédito: Reprodução)
Ojuiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá, entendeu que máscaras e álcool em gel distribuídos com o nome do vereador Juca do Guaraná Filho (MDB) são configuram propaganda eleitoral antecipada. O magistrado sentenciou uma ação movida pelo Ministério Público Eleitoral contra o parlamentar e julgou improcedente o pedido de condenação a ele.Fidelis chegou a dar liminar a favor do MP Eleitoral em julho, proibindo Juca de distribuir as máscaras. Contudo, ao analisar o mérito da ação, entendeu que não houve propaganda eleitoral por não haver pedido expresso de voto na distribuição das máscaras.Além do aparato para o rosto, Juca também doou álcool em gel com o nome da empresa “Juca do Guaraná Transportes”. Para o MP Eleitoral, o vereador tentava inutilmente “dissuadir que a propaganda eleitoral seria referente a empresa” ao incluir o termo “transportes” na logomarca.

Juca chegou a fazer consulta pedindo parecer do MP Eleitoral sobre a destruição gratuita de “milhares de máscaras cirúrgicas e dosagens de álcool em gel” por meio do advogado Marcos Antônio Souza Laranhaga Carrara. O órgão recomendou a não distribuição dos itens e depois acabou acionando o vereador na Justiça Eleitoral, que deu a liminar em 10 de julho.

A defesa de Juca argumentou que a distribuição do material foi feita entre 22 e 29 de abril, “em um contexto social alarmante decorrente da pandemia do novo coronavírus, qual seja, em pleno ápice da escassez de EPIs”. Primeiro, teriam distribuído máscaras cirúrgicas brancas e no dia 29 daquele mês foram produzidos os materiais com a logomarca da empresa, que é da família de Juca.

Os advogados do parlamentar argumentam ainda que o Ministério Público foi avisado das doações quando foi feita a consulta pedindo parecer e que, depois de uma notificação recomendatória, o vereador não doou quaisquer novos materiais.

Também defendem que a distribuição de máscaras não seria propaganda eleitoral antecipada porque não havia pedido de votos, nem existia “potencialidade lesiva para prejudicar a normalidade do pleito eleitoral”.

“É relevante anotar que não se trata de convalidar a distribuição de brindes, na escalada inicial da pandemia de Covid-19, o que é expressamente vedado, inclusive em período eleitoral, mas sim, buscar saber se o material apreendido evidencia propaganda eleitoral ou se situa em um indiferente eleitoral”, registrou o juiz.

Geraldo Fidelis afirmou que a situação gera dúvida sobre a ocorrência de propaganda extemporânea pelo conteúdo do material, ainda que tivesse sido demonstrada preocupação com a saúde da população em meio à pandemia.

Ele justificou a liminar em razão de uma “estranheza” inicial, mas reiterou que não houve pedido de votos.

“Não pode passar despercebido que o período de pandemia do novo coronavírus promoveu uma mudança de paradigmas não apenas na sociedade brasileira, mas também em toda a humanidade e, inclusive, como mencionado pela defesa, o envolvimento da iniciativa privativa na promoção de doações de toda ordem de bens, produtos e serviços, é fenômeno que pode ser visto em todos os meios de comunicação”, afirmou.

“É também certo, que o engajamento pode, eventualmente, possuir fins promocionais e até mesmo escusos, porém, a fim de que a máxima “dois pesos e duas medidas” seja, tanto quanto possível, substituída pela paridade de armas e igualdade entre as partes, na ausência de certeza da prática de pedido expresso de votos e ainda, diante da comprovação da atividade empresarial exercida mediante o nome fantasia “Juca do Guaraná Transportes”, não há como acolher o pedido deduzido na representação”, julgou.

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