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18 Set 2020 - 17:30

Mãe cobra pena máxima para autora de disparo e diz que dor "não passará"

Patrícia Ramos repudiou declaração de Marcelo Cestari em pedir desculpas "no momento oportuno"

ALLAN MESQUITA

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
A empresária Patrícia Helen Guimarães Ramos, mãe da adolescente Isabele Ramos, 14, morta no condomínio de luxo Alphaville, repudiou a intenção do empresário Marcelo Cestari, pai da jovem que atirou na estudante, em pedir desculpas pelo ocorrido. Na última quarta-feira (16), Cestari declarou à imprensa que procuraria Patrícia para conversar assim que a “dor passasse”.

Em entrevista à TV Vila Real (Canal 10), Patrícia questionou ao empresário se ele sabe “quando a dor vai passar”. “Ele disse que vai me procurar quando essa dor passar, mas eu quero fazer uma pergunta para ele: Será que ele sabe quando isso vai acontecer? Para mim, como mãe, esse é o pior momento da minha vida, ter perdido minha filha dessa forma. Isso não vai passar nunca”, disparou.As declarações ocorrem após Cestari afirmar que tentaria conversar com Patria “no momento oportunido”. A fala aconteceu após a filha do empresário ser liberada do Lar Menina Moça, onde deveria passar 45 dias. A adolescente conseguiu um habeas corpus do desembargador Rui Ramos Ribeiro menos de 24h após a determinação judicial para que ficasse internada no local.

Indignada com a reviravolta judicial, a mãe de Isabele defendeu a “pena máxima” da menor e ainda questionou o que ainda seria necessário para comprovar o crime. “Depois que vi a nova decisão do juiz, eu fiquei me perguntando: o que mais seria necessário para que ela pudesse de fato estar ali, naquele lugar, onde ela deveria estar desde o acontecido. Eu espero que ela pegue a pena máxima de três anos e que um dia ela chegue à conclusão que ter assassinado minha filha não valeu a pena”, disparou. 

No fim da entrevista, Patrícia ainda lembrou que Cestari pôde comemorar o aniversário dos filhos, no último mês. Já Isabele faria 15 anos no dia 12 de novembro e a família planejava fazer a "festa de debutante". “Tudo mudou, meus planos, minha visão, meu futuro. O Marcelo pôde comemorar os 15 anos dos filhos dele, enquanto eu, não vou poder comemorar o da minha filha. O quarto dela já está pronto, mas falta ela. O meu filho também foi prejudicado nisso tudo, porque perdeu a irmã, que era a grande companhia e amiga dele. Ele já tinha perdido o pai e agora só tem a mim. Eu não tenho palavras para descrever o quanto nós estamos sofrendo”, concluiu.

INQUÉRITO

Marcelo foi indiciado homicídio culposo, fraude processual, posse ilegal de arma de fogo e omissão de cautela na guarda de arma de fogo. Sua esposa, Gaby Cestari, também foi indiciada pelo crime de omissão de cautela na guarda de arma de fogo. 

No caso da filha do casal, responsável pelo disparo que matou a amiga, o delegado Wagner Bassi, que presidiu o inquérito na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) explicou que o indiciamento da menor é devido ao fato de ter assumido a responsabilidade de atingir a vítima, uma vez que, apesar de ser menor de idade, era treinada e sabia manusear armas de fogo.

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