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Agência da Notícia, Quinta-feira 22 de Outubro de 2020

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14 Out 2020 - 09:40

Deputados debatem Hidrovia Paraguai-Paraná; Lúdio é contra e Avalone é favorável

Max Aguiar

Rogério Florentino Pereira/ OD

 (Crédito: Rogério Florentino Pereira/ OD)
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) alertou que o projeto de hidrovia do Rio Paraguai coloca em risco o Pantanal. A proposta da hidrovia prevê alterar o curso do rio, tornar o leito mais profundo e aumentar a velocidade de escoamento da água para permitir a navegação de grandes embarcações de carga, principalmente para transporte de soja. Com isso, o ciclo das águas no Pantanal seria alterado, pois o Rio Paraguai é o principal rio que alimenta o bioma. 
“Temos que fazer escolhas. A prioridade é preservar o Pantanal ou vamos continuar reféns desse discurso? A população de Cáceres vem sendo enganada há mais de 30 anos com esse discurso. Será que não está na hora de enterrarmos de vez essa proposta de hidrovia no Rio Paraguai? Essa hidrovia serve a quem? Serve à soja. A hidrovia do Rio Paraguai vai decretar a morte do Pantanal”, afirmou Lúdio.

A fala de risco ao bioma, colocada por Lúdio, foi rebatida por Carlos Avalone (PSDB). Segundo o parlamentar, quem é contra o desenvolvimento sempre vai criticar. E ainda lembrou que desde a época que Dante de Oliveira era governador já existia quem criticava. 

"É uma pena de quem não concorda com a Hidrovia Paraguai-Paraná sair sempre com esse discurso. Parece que estou vivendo a época do Dante, quando houve a paralisação da hidrovia depois que estava com tudo pronto. Agora voltam com o mesmo discurso. Em Mato Grosso do Sul tem hidrovia, e lá pode. Aqui não pode? Lá é o Pantanal do mesmo jeito que aqui. Não há problemas nenhum ter hidrovia. Querer acabar com o projeto é um absurdo", disse o deputado tucano.

Lúdio defende que seja fomentada a navegação turística no Rio Paraguai e o ecoturismo no Pantanal. “O Rio Paraguai sempre teve navegação e é importante que a navegação histórica continue. Eu quero ver chalana e ecoturismo no Rio Paraguai. O ecoturismo depende desse modelo de navegação. Mas não podemos aceitar o modelo de navegação que exige destruição do leito do rio, que é o que o projeto de hidrovia prevê, para permitir o escoamento das grandes cargas de soja”, afirmou.  

Para Avalone, esse projeto do deputado é ultrapassado, assim como a fala dele em evitar o transporte de carga pelo rio. "Vamos fazer de tudo para fazer o desenvolvimento chegar, mesmo com as forças quem tentam quebrar o desenvolvimento. É um discurso atrasado de pelo menos 30 anos", concluiu Avalone. 

Em audiência pública sobre as queimadas do Pantanal realizada em setembro, Lúdio Cabral reuniu diversos pesquisadores e cientistas, que apontaram a hidrovia como uma das graves ameaças ao Pantanal. Além disso, os pesquisadores explicaram que as hidrelétricas, o desmatamento e a expansão das grandes monoculturas nas nascentes e margens dos rios que alimentam o Pantanal já provocaram alterações no ciclo das águas, com grandes estragos para o bioma. Tudo isso agrava a seca, e uma das consequências é o aumento do fogo descontrolado no Pantanal. 

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