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27 Out 2020 - 10:41

MT: agricultores temem não conseguir cumprir primeiros contratos de venda de soja

Com plantio em ritmo lento, aumenta risco de que faltem lavouras prontas para colher no início de janeiro, quando alguns produtores se comprometeram a entregar parte da produção

Canal Rural

Cleverson Bertamoni

Registro do solo seco na fazenda em São José do Rio Claro-MT (Crédito: Cleverson Bertamoni)

Registro do solo seco na fazenda em São José do Rio Claro-MT

O tempo seco comprometeu o cronograma da fazenda do agricultor Endrigo Dalcin, em Nova Xavantina, nordeste de Mato Grosso. Só na última semana as máquinas foram para o campo. até agora, apenas 5% dos 5 mil hectares foram cultivados. Nesta mesma época do ano passado, ele já tinha semeado 30% da área de soja.

Há atraso também na fazenda do Laércio Lenz, em Sorriso, médio-norte do estado. O cultivo dos 2.250 hectares já deveria estar concluído. Mas a falta de chuvas não deixou. Mesmo intensificando o ritmo dos trabalhos nos últimos dias, ainda falta semear 35% da lavoura.

Com a janela comprometida, o agricultor Cléverson Bertamoni decidiu arriscar o cultivo no pó. Na fazenda dele, em São José do Rio Claro, a chuva ainda não chegou da maneira que era esperada. “Não conseguimos avançar no cultivo. A terra está extremamente seca, estamos plantando ‘no escuro’, esperando a chuva. Todos sabem que para garantir a janela ideal para o plantio do milho segunda safra, é preciso semear a soja até o dia 30/31 de outubro, mas já estamos no fim do mês e o plantio está extremamente atrasado”, lamenta.

Nesta safra, as lavouras de soja devem ocupar mais de 10,3 milhões de hectares em Mato Grosso. Apenas 24,8% foram semeados, de acordo com o Imea. O ritmo é bem inferior à média dos últimos cinco anos no estado, que é de 48,7%. A lentidão preocupa e deve pesar no bolso dos agricultores, segundo o engenheiro agrônomo Naildo Lopes, que presta consultoria para produtores na região médio-norte do estado. “Ainda não dá para avaliar o quanto iremos ter que fazer de replantio. Mas, em algumas áreas, isso já é certo. Alguns produtores arriscaram plantar esperando as previsões climáticas e elas não ocorreram. Uma coisa é certa: nós estamos vivendo um momento em que parte da nossa safrinha já está comprometida e a produtividade média da soja é totalmente incerta aqui na região”, comenta Naildo.

Na fazenda do “seo” Heitor Gross, em Campo Novo do Parecis, a seca e o calor forte castigaram parte da lavoura. Pelo menos 250 hectares terão que ser replantados. O agricultor precisou comprar 14 ‘bags’ de sementes para fazer a reposição. “Vou ter que eliminar essa soja aí para fazer o replantio perfeito, senão fica ruim. Já tem lagarta na folha, então vamos ter que eliminar isso aí e fazer um replantio novo. E isso ocorre em toda região, não é só aqui não. Tem gente que vai replantar dois, três mil hectares”, afirma o produtor.

Além dos custos adicionais e dos impactos na segunda safra, outra preocupação é com os contratos antecipados. Especialmente, aqueles com vencimento para janeiro, com explica Giovana Velke, diretora do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis. “A maioria dos produtores já está se posicionando que não vai ter produto para entregar em janeiro, porque a chuva atrasou e algumas áreas já deram replantio. As tradings já estão se posicionando, pedindo para esperar até janeiro para ver o que elas vão fazer de fato. A nossa preocupação, como produtor, é a questão da multa contratual, que é extremamente salgada para o bolso do produtor rural. Mas eu acredito que a gente vai resolver isso de uma maneira amigável, afinal, não é só o produtor que precisa da empresa, a empresa também precisa do produtor”, conclui.

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