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3 Abr 2015 - 11:40

Violência social institucionalizou-se

 Na semana passada assisti a uma longa conversa entre empresários do comércio de Cuiabá e de Várzea Grande, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá-CDL, com o secretário estadual de Segurança Pública, Mauro Zaque. Antes, é preciso lembrar o porquê da sua convocação. Na semana anterior a empresa franqueada da marca O Boticário nas duas cidades decidiu fechar a sua loja 2, com 34 anos de funcionamento, na Avenida Fernando Correa da Costa, depois de 4 assaltos neste ano e tentativas, fora outra dezena em anos anteriores. Indignada, a empresa comunicou o fechamento da loja a diversos órgãos do governo, à OAB, à Federação do Comércio de Mato Grosso e à CDL.

Na reunião, outros empresários da área do comércio de varejo fizeram depoimentos alarmantes sobre o crescimento de roubos e assaltos ao comércio em Cuiabá e em Várzea Grande. Nuns, a marca é a violência. Noutros, a audácia, noutros a segurança sobre a impunidade. Os relatos vieram recheados de comentários como o da diretora da Matos e Matos, Dalva Beatriz Ferraz. Segundo ela, a indignação e a impotência se somam na certeza da impunidade e da falta de ação do governo. Como lidar com funcionários apavorados após sucessivos assaltos nas mesmas lojas, com seu medo ou com sua demissão em tempos ruins da economia como agora?

O secretário se explicou, mas não ofereceu as garantias esperadas pelos empresários. Disse que a insegurança e a violência não nasceram agora e nem serão corrigidas de um momento para outro. Porém, de tudo o que ele disse, preocupou-me muito, a afirmação de que a base da sociedade está podre. É de lá que vem a violência que toma as ruas e se beneficia lá na frente na Lei das Execuções Penais que favorece os bandidos.

Ninguém fica muito tempo na cadeia, disse o secretário. Logo, entrar e sair dela vira rotina.
Sobre essa estória da sociedade podre, é de se lamentar, mas ele tem razão. As famílias abandonaram os filhos, a escola abandonou a educação, a segurança abandonou os cidadãos e a justiça abandonou a justiça. Nos bairros da periferia a violência faz parte da normalidade diária e matar ou morrer é apenas a circunstância de se estar vivo. Mães são as únicas que ainda choram a morte dos filhos, embora saibam e declarem saber que eles não vão durar muito.

A classe média vive uma outra forma de violência que ela mesmo pratica, mas é também vítima dessa onda que vem das periferias. Voltarei ao assunto, porque ele não vai sair do noticiário e das nossas vidas nos próximos anos.

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