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5 Jun 2014 - 15:50

"Sérgio Ricardo foi o único que quitou os empréstimos"

 Acusado de ter sido beneficiado pela compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), por R$ 4 milhões, o conselheiro Sérgio Ricardo foi "elogiado" pelo empresário e delator Júnior Mendonça, suspeito de comandar um esquema de fraudes para lavagem de dinheiro público em Mato Grosso.

Em depoimento na sede do Ministério Público Federal (MPF), às 14 horas do dia 5 de março deste ano, em Cuiabá, após ter assinado um contrato de delação premiada para colaborar com a Operação Ararath, Mendonça classificou Sérgio Ricardo de bom pagador.
O empresário suspeito disse que emprestou, no início de R$ 2009, R$ 2 milhões ao então deputado Sérgio Ricardo. Na mesma ocasião, outros R$ 2 milhões foram emprestados, segundo ele, ao deputado José Riva.

Júnior Mendonça contou que, além de empréstimo de R$ 2 milhões, também emprestou dinheiro a Sérgio Ricardo em outras oportunidades, posteriores a 2009. Ele disse, no entanto, que não se recordava, ao certo, das datas.

No depoimento, dado à procuradora da República Vanessa Scarmagnani e ao delegado da Polícia Federal Wilson Rodrigues de Souza, Mendonça disse que, em todas as operações financeiras, Sérgio Ricardo “garantiu a dívida por meio de emissão de nota promissória”.

“Ele quitou todos os empréstimos. Por isso, hoje, não tenho nenhum destes títulos em mãos, uma vez que todos foram restituídos”, disse Mendonça.

"Dinheiro vivo"

Ele relatou que, nessas oportunidades, esteve pessoalmente no gabinete do então deputado, que quitou suas dívidas mediante dinheiro em espécie.

“E eu entregava em mãos a Sergio Ricardo as notas promissórias dadas como garantia”, disse.

Segundo Júnior Mendonça, Sérgio Ricardo “foi o único agente político que quitou integralmente as notas promissórias de garantia”.

“Foi o único que quitou os empréstimos tomados comigo”, disse.
Blairo teria avalizado compra de vaga

O ministro Dias Tofolli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou em sua decisão, que autorizou a prisão de Eder Moraes e do deputado José Riva (PSD), que documentos apreendidos pela Polícia Federal, e as declarações do empresário Júnior Mendonça, comprovariam o pagamento de R$ 4 milhões para a compra de uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

Por meio de “delação premiada”, para reduzir sua eventual pena perante a Justiça, Mendonça contou que, em 2009, o então governador Blairo Maggi (PR), obteve dele, por meio de Eder Morais, R$ 4 milhões para pagar o então conselheiro Alencar Soares.

Alencar Soares - que também teve sua casa alvo de busca e apreensão, ontem (20) - teria recebido o dinheiro das mãos de Júnior Mendonça, a pedido, e na presença, de Eder Moraes, que, por sua vez, agiria “no interesse e a mando de Blairo Borges Maggi”.

Segundo os autos, Sérgio Ricardo, então deputado estadual, já teria pago R$ 4 milhões a Alencar, pra que ele deixasse a vaga.

O repasse de Mendonça a Alencar Soares teria servido para que ele pudesse devolver a Sérgio Ricardo os R$ 4 milhões anteriormente dele recebidos – e, alegadamente já gastos.

O pagamento dessa segunda vantagem foi feito pela empresa Globo Fomento Ltda., de Júnior Mendonça.

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