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1 Abr 2014 - 10:06

Fim da Ditadura: 50 anos depois do golpe militar, ex-guerrilheiro mora em Porto Alegre do Norte e relembra a repressão

Cinquenta anos depois do golpe militar que implantou uma ditadura militar no Brasil, um dos combatentes deste regime autoritário mora hoje em Porto Alegre do Norte, Ataíde da Silva, foi um dos integrantes da Guerrilha do Araguaia. Suas memórias são guardadas em um caderno, onde relata fatos que ocorreram nas décadas de repressão.

"Eu morava em Osasco, mas com a caçada tivemos que subir para a Amazônia. A primeira cidade que cheguei foi Santa Terezinha, foi uma viagem de barco, cansativa. Mas já havia um casal me esperando lá para dar apoio", lembrou Ataíde, que chegou a ser preso e encaminhado, com malária, para Cuiabá, mas não chegou a ser torturado e acabou sendo liberado. "Fiquei sessenta dias na cadeia, comigo foram mais de 10 moradores de Santa Terezinha, mas eles não acabaram encontrando a nossa ligação com a Guerrilha e a influência da prelazia acabou nos ajudando para liberação", conta.

Ataíde chegou a viver como andarilho, para fugir do militares, atravessou a pé a Ilha do Bananal, a maior ilha de água doce do mundo com mais de 90 quilômetros e conviveu com personalidades da região, como Padre Jentel, as freiras da irmandade "Irmazinhas de Jesus", padre João Bosco e o Bispo Dom Pedro Casaldáliga.

"Infelizmente a guerrilha abortou, com a repressão em São Paulo nós ficamos desorientados aqui e tentávamos era sobreviver", enfatiza Ataíde, concluindo "Pode até ter sido um ato heroico, mas foi mais triste do que heroico".

O fim da Ditadura de Getúlio Vargas:

O Estado Novo começou a ser desmantelado logo no dia 25 de Abril, pelo MFA e pela Junta de Salvação Nacional. As polícias, tal como o próprio Governo, foram os primeiros alvos da Revolução. A censura, uma poderosa arma da ditadura, foi, ela própria, riscada pelo lápis azul.

Presos políticos são libertados, pondo fim a anos de perseguições. As figuras do regime são exiladas e regressam os membros da resistência, como o Álvaro Cunhal e o Mário Soares.

A reconquista da liberdade de expressão percorre as páginas dos jornais, rádio e televisão, os próprios cartazes de cinema.

Tudo prepara o caminho para o regime democrático.


O fim da Ditadura Militar:


Durante o governo Figueiredo, o Brasil mergulhou numa das mais graves crises econômicas e sua história. A inflação era muito alta, a dívida externa assombrosa e as dívidas públicas do governo muito maiores que sua arrecadação.

A sociedade canalizou seu enorme descontento para com o governo militar organizando uma gigantesca companha em favor das eleições diretas para presidente da República.

A Campanha pelas Diretas foi um dos maiores movimentos políticos-populares da nossa história. Nas ruas, nas praças, multidões entusiasmadas, reunidas em grandes comícios, gritavam o lema Diretas-já! e cantavam o Hino Nacional.

Entretanto, uma série de manobras de políticos impopulares, ligados à ditadura militar, impediu a realização das eleições diretas para presidente. O principal grupo que sabotou a emenda das diretas foi liderado pelo deputado paulista Paulo Maluf.

Contrariada a vontade do povo brasileiro, teve progressivamente o processo das eleições indiretas, criado pelo regime militar. Nesta fase, concorreram à presidência dois candidatos: Paulo Maluf e Tancredo Neves.

Paulo Maluf era o candidato oficial do PDS, o partido do governo. Entretanto, não contavam com o apoio afetivo das forças tradicionais que estavam no poder.

Tancredo Neves, governador de Minas Gerais, era o candidato de uma confusa aliança política (a Aliança Democrática) composta por ex-integrantes do PDS e membros do PMDB.

Em comício popular, Tancredo Neves apresentava-se como a alternativa concreta para que a sociedade brasileira alcançasse o fim do regime militar. Tancredo dizia que iria ao Colégio Eleitoral para acabar com ele e que sua eleição seria a última eleição indireta para presidente da República.

Em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral reuniu-se em Brasília para escolher entre Tancredo e Maluf. O resultado da votação foi amplamente favorável a Tancredo Neves, que recebeu 480 votos contra 180 dados a Maluf e 26 abstenções.

Tancredo Neves não conseguiu tomar posse da presidência da República. Doze horas antes da solenidade de posse, foi internado e operado no Hospital de Base de Brasília com fortes dores abdominais. Depois foi transferido para o INCOR – Instituto do Coração, em São Paulo. A enfermidade evoluía de forma fatal. Tancredo morreu em 21 de abril de 1985. O país foi tomado de grande comoção, em face da morte de Tancredo e das esperanças de mudança nele depositadas.

O Vice-Presidente em exercício, José Sarney, assumiu de forma plena o comando da nação.

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