Imprimir

Imprimir Notícia

2 Abr 2014 - 15:51

Falta de investimento correto do Fethab afeta setores em MT, diz Aprosoja

 A logística deficiente de Mato Grosso é um entrave para o crescimento de todos os setores do estado. A qualidade da saúde, educação e expansão do turismo, pecuária, agricultura e da mineração são exemplos claros desse problema crônico. Boa parte dessas demandas seria resolvida se a arrecadação do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab) fosse destinada para sua finalidade inicial, que é a de investimento em infraestrutura.

A região do município de Conquista D’Oeste tem lindas paisagens naturais, mas o acesso é tortuoso. A trafegabilidade pela MT-358, antiga BR-364, é um entrave para quem deseja conhecer as maravilhas da Serra do Parecis, como por exemplo uma rampa para voo livre com cerca de 350 metros de altitude. “Este lugar [rampa Paraíso] tem atraído pilotos de várias regiões do país. Mas ao mesmo tempo temos dificuldades, pois o turista também precisa de uma estrada com boas condições”, afirmou o prefeito de Conquista D’Oeste, Walmir Guse.

A MT-358 corta uma região com cerca de 30 aldeias indígenas. No trecho de Tangara da Serra a Conquista D’Oeste, o presidente da Associação Halitinã dos índios Parecis, Ivânio Zekezokemae, revelou que as condições da rodovia impactam na vida do seu povo. “Precisa pavimentar, nossas crianças sofrem para ir à escola, a estrada é muito ruim”, destacou.

O prefeito de Juruena, Cecílio Rosa Neto, reclamou que por conta da falta de estradas, uma unidade frigorífica teve que fechar as portas, o que fragilizou a economia local. “Além de 500 empregos diretos, o frigorífico iria gerar arrecadação para nosso município. Mas a falta de logística inviabilizou seu funcionamento”.

O produtor rural do estado do Pará, Nasçon Evangelista do Nascimento, tinha interesse de comprar uma fazenda em Colniza. Com o veículo atolado há 5 horas, a cerca de 500 metros da área de embarque da balsa que atravessa o rio Juruena, ele se sentia decepcionado com o caos logístico. “Estou assustado. Já estou com vontade de voltar. É uma terra de ninguém, não tem quem se preocupe com as estradas. A fazenda é muito boa, mas a falta de acesso me desanima de investir na região”, lamentou.

Fethab - Criado em 2000, durante o governo de Dante de Oliveira, o Fethab é uma taxa que incide sobre o transporte de diesel, soja, gado, algodão e madeira, com objetivo de complementar os investimentos na infraestrutura de estradas estaduais e também na área da habitação em Mato Grosso.

O Movimento Pro-Logística elegeu 120 trechos de rodovias estaduais que são fundamentais para o escoamento da produção de Mato Grosso, levando em consideração as cadeias de produção da soja, milho, pecuária bovina, madeira e insumos agrícolas. De acordo com o diretor executivo do Movimento, Edeon Vaz Ferreira, se o Fethab fosse operado de forma ideal, a realidade logística de Mato Grosso seria outra. “Esses trechos somam 10.150 km de estradas pavimentadas e não pavimentadas. Para recuperar toda essa malha seria gasto cerca de R$ 650 milhões, depois disso gastaríamos apenas R$ 260 milhões por ano para mantê-las em condições ótimas de tráfego.”, concluiu.

Estradeiro – Realizado de 24 a 28 de março, o Estradeiro BR-174 percorreu cerca de dois mil quilômetros por duas rodovias federais e sete rodovias estaduais. A comitiva composta por produtores rurais, colaboradores, delegados, o vice-presidente da região Oeste da Aprosoja, Vanderlei Reck Júnior, além de lideranças políticas da região, passou por 13 cidades nos estados de Rondônia e Mato Grosso.

Imprimir