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2 Mar 2020 - 14:12

Silval diz que avisou MPE sobre extorsão: “Ficou por isso mesmo”

O ex-governador Silval Barbosa disse, nesta segunda-feira (02), que informou ao ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado sobre uma suposta extorsão que estava sofrendo de deputados estaduais para pagamento de propina.
 
A afirmação foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Paletó, na Câmara Municipal. A CPI investiga suposta quebra de decoro e obstrução da Justiça por parte do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que foi filmado recebendo maços de dinheiro no Palácio Paiaguás.
 
Segundo Silval, Paulo Prado chegou a sugerir que ele gravasse os parlamentares para que o MPE pudesse tomar providência, mas o plano não foi efetivado. O ex-procurador-geral é concunhado de Emanuel Pinheiro. 
 
 
Falei com Paulo o que estava acontecendo. Ele ficou de analisar e dar resposta. Ele disse que queria gravar e flagrar todo mundo, mas ficou por isso mesmo
“Não estou vinculando grau parentesco de nada. Não foi negado audiência. Quando um governador quer conversar com um presidente, não precisa deslocar, você convida e ele vem no gabinete. Foi o que foi feito. Em uma reunião com o doutor Paulo [Prado], eu falei o que estava acontecendo. Expliquei bem que não era só ali [Assembleia Legislativa], eram outros que estavam, como o Tribunal de Contas. Eu relatei que estava passando por uma série de problemas, com dificuldades das mais perversas para executar os programas de Governo”, disse Silval.
 
“Ele ficou de analisar e me dar uma resposta. Demorou um pouco. Falei novamente numa outra reunião. E, por fim, ele falou que era para gravar, para flagrar todo mundo. Eu disse que dava a ele todas as informações do que estava acontecendo para ele verificar, mas ficou por isso mesmo e eu toquei da forma que me sujeitei”, acrescentou o ex-governador.

R$ 15 milhões ao ano
 
Silval contou que chegou a pagar R$ 15 milhões ao ano em mensalinho aos deputados estaduais, durante a sua gestão, para que eles não atrapalhassem o andamento das obras da Copa do Mundo e do Programa MT Integrado.
 
“Quando começou a sair recurso foi um inferno na administração. Começou extorsão de todo lado, da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Contas do Estado. Depois de várias reuniões, cada deputado pediu R$ 1 milhão. Fechamos em R$ 600 mil, em 12 vezes de R$ 50 mil ao mês”, contou.
 
Silval disse que incubiu o ex-secretário-adjunto da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra), Valdísio Viriato, para conseguir o dinheiro junto às empresas do programa MT Integrado, de asfaltamento de estradas.
 
Assim que recebia a propina dos empresários, segundo o ex-governador, Viriato repassava ao ex-chefe de gabinete, Silvio Correa, que entregava aos parlamentares. Silvio foi quem gravou o vídeo em que Emanuel aparece recebendo dinheiro.
 
Silval ainda afirmou que o pagamento era propina e não pesquisa como o prefeito alega, uma vez que o irmão de Emanuel, Marco Polo Pinheiro, é proprietário de uma empresa que atua no ramo.
 
“Silvio não aguentou mais o inferno e fez a gravação. A gravação daquela fita era propina fruto de extorsão. Não tinha outra coisa. Nada a ver com pesquisa”, disse.
 
Perguntado se Emanuel o pressionava, Silval disse que não. 
 
"Como eu disse, o acordo foi feito com deputados para não criar problemas para mim no pagamento. Quando eu precisava de legislação, suplementação, eu ia ter ela na mão. Sem demorar. Mas ele [Emanuel] participou de todo esse esquema que eu narrei. Se é inocente? Fica aí a avaliação de vocês", afirmou.

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