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1 Jun 2020 - 14:08

Mendes cita propina: “Acham que vou sucumbir com ameaçazinha”

O governador Mauro Mendes (DEM) reagiu com certa irritação ao ser questionado sobre a possibilidade de fechamento da fábrica da cervejaria Petrópolis, instalada no Município de Rondonópolis (212 km de Cuiabá).
 
No último dia 25, o Grupo Petrópolis anunciou a possibilidade de fechamento da unidade e demissão de quase 200 funcionários que trabalham em sete cidades do Estado.
 
Segundo a empresa, a medida é decorrente da anulação dos incentivos fiscais concedidos pelo Governo em meio à crise provocada pela Covid-19 (novo coronavírus). Em abril, o juiz João Thiago de França Guerra, da Terceira Vara de Fazenda Pública de Cuiabá, acolheu pedido do Governo do Estado e reduziu de 90% para 60% o incentivo fiscal concedido ao grupo.
 
Em entrevista à Rádio Mega FM, nesta segunda-feira (1º), Mendes lembrou que a empresa é citada pelo ex-governador Silval Barbosa, em delação premiada, como uma das que pagaram propina em troca de benefícios fiscais.
 
“Põe no Google e dá uma pesquisada: ‘Petrópolis, sonegação fiscal, Walter Farias’. No Brasil inteiro tem processo. Dia desses teve uma operação no Rio de Janeiro, o próprio dono foi preso. Então, esses caras estão brincando. Acham que eu não entendo desse negócio, que vou sucumbir com essa ameaçazinha de que vai fechar fábrica”, disse.
 
 
Esses caras estão brincando. Acham que eu não entendo desse negócio, que vou me sucumbir com essa ameaçazinha de que vai fechar fábrica
“Para dar incentivo fiscal, para cada emprego custar 20, 30 vezes o que ganham os trabalhadores, não tem problema. É melhor o cara ir embora porque vamos arrecadar imposto com os que vêm de fora e fazer muito mais investimento”, acrescentou.  
  
Para Mendes, não seria justo conceder à cervejaria um incentivo superior ao que outras empresas do ramo recebem em Mato Grosso.
 
“Num passe de mágica, a Petrópolis passa para 90% de incentivo. Só eles, ninguém mais. Isso não é isonomia. O que fizemos? Cortamos isso, sim, porque não era justo com demais concorrentes”, afirmou.
 
“Já pensou um mercado em Cuiabá paga 10% de imposto e os demais pagam tudo. Dá para concorrer? Isso que tinha em Mato Grosso e nós cortamos”, afirmou o governador, ao alegar não ser justo manter incentivos que foram “vendidos” por Silval.
 
Grupo citou ameaças
 
No comunicado feito na última semana, o Grupo Petrópolis afirmou que a demissão de quase 200 funcionários seria um processo inicial de cortes e representa 11% do quadro total de colaboradores diretos do Grupo no Estado, que é de 1.516 pessoas.
 
O grupo ainda firmou que desde 2018, quando o secretário de Estado de Fazenda Rogério Gallo tomou posse à frente da Pasta, começou uma “série de ações contra a empresa”.
 
“Em abril deste ano, por decisão judicial, a empresa teve seu incentivo anulado. Fato que causou surpresa, visto que, após 10 anos de fruição do incentivo, sem nenhum apontamento em contrário, a companhia sempre cumpriu com todas as obrigações”, disse o grupo.
 
“O Grupo Petrópolis reduziu a carga horária e deu férias aos funcionários como forma de evitar as demissões, mas agora chegamos no limite. Não há o que fazer a não ser demitir”, acrescentou o diretor de Controladoria do Grupo, Marcelo de Sá.
 
Na nota, o grupo cita o Estado como um dos responsáveis pela eventual demissão em massa.

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