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Suça: conheça música e dança que celebram cultura afrobrasileira e levantam temas como racismo e intolerância religiosa

A suça está presente nas comunidades tradicionais e quilombolas do Tocantins, principalmente na região sul do estado. Grupos levam a cultura afrobrasileira para escolas, onde promovem trabalho de valorização e educação patrimonial com jovens.

Agência da Notícia com G1 Globo Tocantins

20/11/2024 - 08:31

Suça: conheça música e dança que celebram cultura afrobrasileira e levantam temas como racismo e intolerância religiosa

Foto: Montagem/Flávio Cavalera/Secult/Roberta Tavares

Cantos, batuques, danças e saias longas são características marcantes da Suça, uma manifestação artística que conta e celebra a herança cultural de descendentes africanos. No Tocantins, a suça costuma estar presente em eventos católicos e principalmente nas comunidades quilombolas. A arte é considerada um símbolo do combate ao racismo e intolerância religiosa.

A suça chegou no Tocantins por volta do século XVIII, por meio de descendentes africanos escravizados que foram trazidos para trabalhar em minas de ouro, na região sul do estado. Essa manifestação artística é encontrada em cidades como Natividade, Chapada de Natividade, Dianópolis, Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Almas, Arraias e Monte do Carmo.

Sua atuação no combate ao preconceito está relacionada as reflexões que as letras das músicas provocam, além de um contexto histórico sobre o Brasil e a escravidão. O g1 conversou com a historiadora, mestra e pesquisadora em dança da suça, Roberta Tavares, que explicou como a arte se relaciona com o combate ao racismo.

"A dança da suça no Tocantins pode ser considerada um símbolo de luta e de combate ao racismo, porque celebra e valoriza a cultura afrobrasileira. Ela fortalece a identidade das comunidades negras e quilombolas. As letras das músicas carregam mensagens de resistência. Elas carregam a ancestralidade da história negra e também mostram o orgulho das raízes e das tradições nas comunidades. Através das apresentações, a suça cria espaços de visibilidade e reconhecimento", explicou.
 
Por muitas vezes a suça é associada à macumba de forma pejorativa, segundo a historiadora, revelando não apenas o racismo como também a intolerância às religiões de matrizes africanas.

"Apesar de fazer parte do catolicismo popular, ela sofre também preconceitos. Várias vezes a gente ouve a associação utilizando o termo macumba de forma pejorativa, e isso reflete os preconceitos históricos que desvalorizam práticas de matriz africana e perpetuam esses estigmas. A suça promove inclusão e oferece uma resposta cultural contra o preconceito, contra a marginalização, contra a intolerância religiosa", disse.

Os tambores, a viola e os pandeiros dão vida à dança da suça, marcando o ritmo com as batidas e melodias intensas. Nas rodas, os refrãos são repetidos várias vezes enquanto os susseiros dançam, e os músicos cantam histórias sobre o cotidiano.

"Os versos de suça tem toda uma história do cotidiano dos escravizados até os nossos dias. Falam da comunidade, da colheita, do clima, dos costumes. Na suça os instrumentos utilizados são confeccionados manualmente pelos artesãos das comunidades. Podemos ver nas comunidades, os coletivos de suça, que só utilizam tambores porque tem a dificuldade de encontrar pessoas da comunidade para ensinar os mais jovens a tocar viola e pandeiro", contou Roberta.Reproduzir
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