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8 Abr 2021 - 08:21

Mais de 26 mil crianças ficam sem kits de alimentos em Colombo: 'Desespero total', diz mãe

Agência da Notícia PR com G1 PR

Foto: Divulgação/SEED

 (Crédito: Foto: Divulgação/SEED)

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Famílias de mais de 26 mil alunos das escolas municipais de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que contavam com kits de alimentos entregues pela prefeitura, estão passando por dificuldades. O motivo é a suspensão da entrega dos alimentos, que não têm data para retornar.

De acordo com Conselho Municipal do Direito da Mulher de Colombo, as famílias de 26.050 crianças eram beneficiadas com os kits de alimentos, sendo 19.595 mil alunos das escolas de educação infantil e 6.455 mil de Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).

Em novembro de 2020, a entrega dos alimentos foi suspensa. Desde então, as famílias, a maioria com pai e mãe desempregados, contam que têm se virado como podem.

A Prefeitura de Colombo afirma que a entrega dos kits está em fase licitatória, mas não deu previsão para normalizar a situação. .

No caso de Anny Pesuscki, mãe de um menino de 9 anos matriculado em Colombo, a situação está difícil. Ela conta que está desempregada há cinco meses e contava, até novembro, com os alimentos.

"Até agora, não temos resposta nenhuma, nem da escola e nem do município. Desespero total", desabafa.
Anny diz que o kit de alimentos, embora não seja uma cesta básica, ajudava na alimentação do filho.

"Vem arroz, feijão, sucrilhos, óleo, leite em pó, achocolatado, chá e também tem hortifruti como batata, cenoura e frutas. Tenho tentado comprar o básico para manter a alimentação dele, mas às vezes nem o trivial eu consigo. Me sinto impotente, incapaz, é uma sensação horrível”.
Professora, Anny trabalhava para o governo estadual por meio do Processo Seletivo Simplificado (PSS), mas ficou sem emprego no começo do ano quando não foi aprovada novamente.

"Não tenho mãe e pai para recorrer, então a situação está muito difícil mesmo. Não sei mais a quem pedir ajuda, e o poder público que é quem deveria estar ajudando, não está”, afirma.

Na casa de Renata Belo de Freitas Domingues, a situação também apertou com os três filhos, de 4, 9 e 10 anos. Manicure, ela perdeu o emprego em julho do ano passado por causa da pandemia e tem se virado como pode, até mesmo com doações.

"Fiz entrevista de emprego esses dias e fiquei com esperança, mas a empresa que eu iria trabalhar fechou por causa das restrições, não tem o que fazer. Ninguém está contratando, todo mundo está demitindo. O kit seria muito importante nesse momento”.
Renata conta que tem optado por colocar comida na mesa deixando de pagar contas de água e de luz. Com isso, a situação fica cada vez pior. Há alguns dias, ela chegou a ter um princípio de infarto.

"Eu tenho 36 anos e quase infartei por causa da situação que estou vivendo. Falta comida. Nós adultos quando ficamos sem comer entendemos, mas as crianças não”, diz.
A manicure afirma que tem visto a mesma situação entre as famílias de crianças que estudam nas escolas municipais de Colombo. Na tentativa de buscar por respostas, ela procurou até o prefeito da cidade, Helder Lazarotto (PSD).

“Mandei uma mensagem pelas redes sociais e ele disse que seria entregue, mas não deu data. As crianças em casa não param de comer. Se a gente não busca as tarefas na escola, acionam o conselho tutelar, mas também não temos como ensinar as crianças com fome em casa”, aponta.

Conselho alimentar reage
Buscando acelerar a ajuda das famílias de Colombo, o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) da cidade procurou a prefeitura para entender o que estava acontecendo. A vice-presidente Valeria Domingues conta que se sentiu de mãos atadas.

“Entramos em contato com a prefeitura, que disse estar em fase de licitação e que não tem previsão de data para entrega dos kits. O que soubemos é que uma das empresas perdeu a licitação e entrou na Justiça para rever, o que fez o processo ficar mais lento. Enquanto isso, as crianças passam fome”.
Segundo o informado pela prefeitura inicialmente para o CAE, a previsão inicial era para o fim de março. "Passou para começo de abril, mas até agora nada de previsão. O questionamento maior é porquê isso não foi visto antes de fevereiro, sabendo que as crianças precisariam comer?”.

A vice-presidente do CAE destaca que a entrega dos kits está prevista na lei federal 13.987/2020, sancionada em abril de 2020, que autoriza a distribuição de alimentos comprados com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) às famílias durante o período de suspensão das aulas por causa da pandemia.

“A entrega do kit de alimentação é obrigatória, enquanto durar a suspensão das aulas presenciais, está na lei. As famílias estão vivendo uma situação muito complicada. Alimentação faz parte do básico, isso vai ser um prejuízo ainda maior do que a educação em si”, explica.
Valéria reforça que, mesmo não sendo uma cesta básica, o kit ajuda a suprir as necessidades básicas da família. Ela disse que tem se impressionado com o que ouve dos pais.

"Para quem não tem nada, o kit é fartura. Teve caso de uma mãe, que foi abandonada pelo marido e, desempregada, me procurou porque teve que mandar o filho para a casa de uma tia, pois não tinha nada em casa. O filho pedia ‘uma comidinha’ e ela não tinha nada. Essa tem sido a realidade dessas famílias”.

O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Colombo afirma que "o kit alimentação escolar encontra-se em fase licitatória, que tão logo finalize o pregão eletrônico será solicitado para a empresa vencedora do certame a aquisição para todos os alunos matriculados na rede municipal de ensino”.

Segundo a prefeitura, o chamamento da agricultura familiar também está em fase de credenciamento, aguardando a habilitação das cooperativas para que as compras de hortifruti e os demais alimentos oriundos da agricultura familiar possam compor a sacola que será ofertada com o kit.

"Contudo, assim que tivermos a data prevista para as entregas todas as escolas e Cmeis serão comunicados para realizar a ampla divulgação aos pais e responsáveis dos alunos”, finaliza a nota.

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